sábado, 23 de maio de 2015

O dia em que vi o que a droga pode fazer

 Olá,  queridas. Tudo bem?

  No post de hoje contarei a vocês uma experiência que eu tive a cerca de dois meses atrás e que tenho certeza que nunca esquecerei.

  Era final da tarde e eu estava saindo do trabalho, estava numa avenida muito movimentada do centro de São Paulo, e é comum por ali ter moradores de rua e usuários de drogas, não me surpreendi ao ver um homem brigando sozinho e acenando sem parar para o vento.

  O que me surpreendeu foi que todos que estavam indo para avenida São João como eu, pararam na calçada esperando o farol abrir, e havia um ônibus que já estava quase terminando de passar por uma curva bem a nossa frente, e foi nesse momento que o homem que estava brigando sozinho, invés de parar na calçada como todos nós e esperar o farol abrir, continuou sem ver o ônibus a sua frente.

  Todos nós estávamos esperando o farol abrir e ficamos congelados por alguns segundos que pareciam uma eternidade, eu vi o homem avançar, bater a cabeça na lateral do ônibus, provocando um grande barulho, vi seu pescoço virar bruscamente e logo pensei que ele havia quebrado o pescoço e estava morto, mas então, o vi caindo no chão e o ônibus passando sobre o seu corpo.

  Tudo aconteceu muito rápido, mas ao mesmo tempo parece que nós que presenciamos esse momento vimos tudo em câmera lenta, ninguém esperava por isso, quem não veria uma coisa tão grande bem na sua frente? Sim, aquele desconhecido não viu.

  Ficamos todos parados, chocados demais por alguns instantes tentando acreditar no que vimos, aos poucos as pessoas que estavam dentro do ônibus começaram a gritar, as pessoas que estavam dentro da lanchonete de esquina saíram para a rua, e aquele homem ficou estendido no chão sem se mexer.

  Eu não sei o que aconteceu com ele, se ele realmente estava morto (acredito que sim, pois foi muito feio o acidente), eu não tive coragem de continuar assistindo, mas apesar de ter se passado alguns meses eu não consigo esquecer dessa cena.

Todos os dias a maioria de nós vê um morador de rua bêbado ou drogado por ai, e normalmente sentimos medo, repulsa, nojo e queremos que esse tipo de pessoa suma, mas quando eu vi aquele homem sendo atropelado na minha frente pensei em como eu mentia para mim mesma para não ter mais problemas.

  Muitos de nós critica iniciativas do Governo para ajudar essas pessoas, mas esquecemos que elas não são E.Ts ou nasceram de um pé de alface, elas foram concebidas por um casal, e não se sabe quando ou porquê se perderam em algum momento de sua vida, e então invés de ajuda-las nós fechamos nossos olhos e a ignoramos, assim como fazemos com os pombos, eles estão em toda parte, são sujos, tem doenças e nós fingimos na maioria das vezes que eles não existem, porém essas pessoas são tão seres humanos como nós e que precisam de ajuda.

  Essa é uma realidade muito triste e complexa, pois como podemos ajudar se a maioria não quer ajuda? Eu realmente não sei nem ao menos como ajudar, mas desde aquele dia algo mudou dentro de mim.

  Conheço algumas pessoas que veneram as drogas (todos os tipos), levam tudo na brincadeira e não aceitam o fato de que um dia elas podem ser como aquelas pessoas que dormem nas ruas e que causam repulsa, elas simplesmente ignoram tantos casos de pessoas que estragaram sua vida dessa maneira.

  Se aquele homem não estivesse tão drogado, ele teria visto o ônibus e estaria vivo, acredito que ele ficou lá até o resgate chegar e se ele realmente estava morto é provável que a sua família ainda nem saiba disso e sua memória, sua vida já tenha sido esquecida. Eu não sei quanto a você que está lendo esse texto, mas pensar que ele simplesmente foi esquecido, enterrado como indigente e sua vida ter acabado daquela maneira é algo que me deixa triste.

  Sei que o post de hoje não é motivacional, mas compartilho com vocês essa experiência que me fez ver a vida com outros olhos.

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